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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Sugestão Literária: O Capital no século XXI

Aproveito a presente sugestão para informar que também eu terei direito às minhas tão aguardadas férias, mas com a promessa que voltarei em Setembro, com muito mais para partilhar.

Até lá...

 

O capital no século XXI de Thomas Piketty

 

 

"Quais são as grandes dinâmicas que regem a acumulação e a distribuição de capital? As questões sobre a evolução da desigualdade a longo prazo, a concentração da riqueza e as perspectivas de crescimento económico estão no cerne da economia política. Mas é difícil obter respostas satisfatórias devido à falta de dados correctos e de teorias claras. Em O Capital no Século XXI, Thomas Piketty analisa um conjunto exclusivo de dados de vinte países, que percorrem mais de três séculos, para discernir os padrões socioeconómicos fundamentais. As suas descobertas transformarão o debate e as prioridades da reflexão sobre riqueza e desigualdade das próximas gerações." (Descrição Bertrand)

 

 

Duelo centenário: Keynes Vs Hayek

"Duas filosofias, duas visões, dois planos....uma só realidade"

No que às políticas, filosofias e ciclos económicos diz respeito, existem dois nomes totalmente incontornáveis, cujas ideologias, escolas e visões se opuseram, dividindo toda a comunidade académica, política e económica ao longo dos séculos. 

Por um lado Keynes, defendeu que os mercados deveriam ser controlados por um estado que interviesse activamente na economia. Assim, o crescimento económico deveria ser suportado por políticas do lado da procura e assentes na despesa pública. Com a sua obra "Teoria Geral do Juro e da Moeda"(1936), Keynes mudou a concepção de toda teoria economica, e alertou para uma das principais ameaças com que a sociedade se deparava, a imprevisibilidade dos mercado ("Animal Spirits").

Por outro lado, Friedrich Hayek com a sua principal obra "O caminho da Servidão" (1944) representou toda a escola austríaca, que viria a resultar na "corrente clássica". Esta opunha-se veemente ás ditas políticas Keynesianas, devido às consequencias que estas geravam no médio e longo prazo. Segundo Hayek, a economia deveria seguir a lei dos mercados, acreditando que estes deveriam flutuar livremente. Assim, as crises que deles advieram, teriam o seu epicentro nas baixas taxas de juro praticadas. Hayek viria a receber em 1974 o Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel.

Melhor que discrições exaustivas e monótonas relativamente a esta temática, deixo-vos com duas partes de um vídeo elaborado pela Econstories, que alegre, satírica e musicalmente (ideal para estudantes que iniciam os seus estudos na ciência económica) explicam de forma "suis generis" (e a meu ver, muito feliz) este duelo centenário.


    

 

 

 PS: Desenvolvido por Samuelson e Hicks no período pós-guerra, nasceu uma nova vertente que procura acomodar as duas visões, a Síntese Neoclássica (ou ortodoxa). Esta consiste numa análise Keynesiana da macro, e neoclássica da microeconomia. (para aprofundar os seus conhecimentos clique Aqui - Drumond,C. & Jesus,C.).

 

Balanço Desportivo: O Outro Lado da Paixão.

"Fizemos o estudo do impacto económico da final da Champions em Lisboa, em Maio de 2014, o Real Madrid-Atlético de Madrid. O impacto económico a nível mundial foi de 410 milhões de euros. Valores astronómicos. Mas neste caso, os números do Benfica-Porto confirmam a importancia do fenómeno do futebol em Portugal e um negocio que é capaz de gerar muito dinheiro para a economia portuguesa e para muitas empresas diferentes" (Daniel Sá ,2015 - IPAM)

 

Após o inicio da época futebolista nacional de 2015/16 com a supertaça do passado Domingo, e estando o relógio em contagem decrescente para o inicio de um novo campeonato, será de todo oportuno analisar o contributo que esta industria desportiva dá para dinamizar a economia doméstica. 

Muito provavelmente, o leitor ao deparar-se diariamente com notícias de jogadores e salários contratados na ordem dos milhões de euros, sentirá alguma repulsa e indignação face à actual conjuntura económica e social com que o país se depara. Porém, apesar dos valores perversos, não poderemos esquecer que estes são também tributados, e como tal, quanto mais avultado o valor, maior o financiamento estadual pela parte dos privados. Para além disto, os atletas (que tipicamente têm elevados níveis de consumo) irão gastar o seus rendimentos no comércio nacional, ajudando a promover a economia e servindo como um canal de redistribuição de riqueza entre os clubes e a sociedade envolvente.

Passadas as questões contratuais, debrucemo-nos sobre o lado intangível e indirecto da questão: o impacto sobre as marcas, publicidade e no turismo. Que melhor publicidade haverá para uma empresa que pretende expandir-se no mercado internacional que ser dada a conhecer a milhões de espectadores por todo o mundo, num painel publicitário, camisola, ou bancada durante um jogo da Liga dos Campeões? Provavelmente, apenas no intervalo da Super Bowl norte americana, ou prestando cobertura nos maiores festivais musicais do mundo. Para além do comércio que o desporto gera directamente na industria da restauração, hotelaria, têxtil e no merchandising (frequentemente verificam-se enchentes em hotéis e restaurantes em dias de jogos internacionais), a participação nas provas internacionais poderá representar uma ocasião perfeita para dar a conhecer ao estrangeiro o nosso potencial turístico, social e gastronómico, assim como a qualidade dos nossos produtos, e a preços atractivos face ao nível de poder de compra europeu.

 

Passando, da teoria para os números:

 - Segundo um estudo realizado pelo Instituto Português de Administração de Marketing, só o Benfica-FC.Porto da época passada gerou 23,3M€;

 - A final da Liga dos Campeões de 2014 realizada no Estádio da Luz, teve um impacto que rondou os 141M€ na economia nacional;

 - Portugal é líder de receitas de transferências em 2015, encaixando mais de 231M€ em vendas desde 1 de Junho. (entrada de capital estrangeiro em solo nacional);

 - Apesar de não querer entrar em questões clubisticas, verifica-se uma correlação entre o nível de consumo e produção nacional com os resultados desportivos do Benfica. Este facto advém do facto de ser o clube com mais adeptos a nível nacional. (ver artigo no expresso:(Hiperligação) A Troika queria o Benfica Campeão)

 

Os valores que o desporto gera levantam indubitavelmente inúmeras questões morais, mas é indiscutível a sua utilidade analítica. Por vezes, também as paixões mais irracionais podem contribuir para o bem estar comum.

 

 

 

Sugestão Literária: Pensar, Depressa e Devagar.

Nesse livro, o prémio nobel da economia Daniel Kahneman, apesar de ser psicólogo, abalou os fundamentos da ciência económica ao questionar o "sagrado" pressuposto da racionalidade dos agentes económicos, resultando numa autêntica revolução da economia comportamental. A descrição que faz do funcionamento da mente humana e a forma como os enviesamentos afectam o processo de tomada de decisão é excepcional. Esse livro é sem dúvida de leitura obrigatória porque, além de ser fácil leitura e muito didáctico, revoluciona completamente a nossa compreensão sobre a "fisionomia" da mente humana. Boa leitura e boas férias!

Crónica de uma falência anunciada

O sistema de pensões em Portugal é uma espécie de tabu para quem governa: muito discutido nos corredores da política e por técnicos, mas ignorada dos programas de Governo, à espera de um momento em que haja um “consenso alargado entre forças políticas”.  

 

Cálculos elaborados pela Comissão Europeia no “Ageing Report” de 2015 (http://ec.europa.eu/economy_finance/publications/european_economy/2014/pdf/ee8_en.pdf) mostram que, em Portugal, no ano de 2060, a taxa de substituição da pensão rondará os 30,7%, isto é, uma pessoa que se reforme em 2060 passará a receber, em média, apenas 30,7% do seu último salário.

 

O problema em causa, o da sustentabilidade da segurança social – que em 2016 terá um buraco de €600 milhões – afetará, principalmente, aqueles que estão agora no início da sua vida de trabalho ou ainda não entraram sequer no mercado, o que obrigaria, portanto, a uma reflexão por parte das autoridades políticas no imediato. Este problema é real e sustentado pelos números: atualmente, 1,8 trabalhadores correspondem a 1 pensionista, em 2060, 1 trabalhador sustenta 1 pensionista. Com menos trabalhadores no ativo por cada reformado, é difícil manter o sistema sustentável, visto que as contribuições pagam não só as pensões de reformados, como também os subsídios de desemprego ou as baixas médicas.

 

As causas para esta problemática prendem-se, sobretudo, com o abrandamento do crescimento económico. Nos anos 60, Portugal crescia a uma taxa média anual de 6,9%. Na década de 2000, o crescimento económico médio anual não ultrapassou um ponto percentual, trazendo, com isso, mais gastos em subsídios de desemprego e menos contribuições. Outra causa é o envelhecimento da população, o que aumenta os gastos em reformas, reduz o número de contribuições e dispara os gastos em saúde por parte do sistema.

 

A solução para a insustentabilidade da segurança social - tendo em conta que os níveis de desemprego, salário e produtividade se vão manter, e tendo em conta o envelhecimento da população - terá que passar, como o PS já defendeu no seu programa macroeconómico, pela alteração das fontes de financiamento da segurança social ou cortes na despesa. Medidas como o prolongamento das carreiras e a maior intensidade laboral (aumento do número de horas de trabalho e políticas de criação de emprego) poderão também surgir em debate. Há também a possibilidade de manter o sistema sustentável através de capitalização das contribuições (os trabalhadores descontam para contas que são capitalizadas), ou alterar a forma de cálculo da pensão, com base no número de filhos do contribuinte (incentivando a natalidade para que o sistema de mantenha sustentável) – ideia já defendida por Miguel Sousa Tavares – ou, simplesmente, convergir para uma solução em que são os privados quem sustenta as pensões, através de sistemas de seguro (contas poupança reforma, por exemplo), tal como funciona nos EUA.

 

O debate em curso ainda está numa fase arrefecida, talvez por ainda faltar muito tempo para chegarmos a 2060, mas o que é facto é que esta questão deveria ser objeto de análise já pelo próximo governo, acautelando o futuro das pensões. Atrevo-me mesmo a dizer que a questão da sustentabilidade da segurança social será o problema principal a enfrentar e a resolver pela minha geração.

 

Nota: enquanto não chegamos a 2060, e aproveitando o bom tempo que tem feito, também eu vou gozar de um mês de “reforma”. Volto em setembro, até breve!

O Falso Salário

 

A meu ver, uma das principais causas dos problemas nas finanças públicas, e da pobreza observada na generalidade dos países do sul europeu.

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Por motivos profissionais, esta semana tive a oportunidade de trabalhar com valores empresariais declarados desde grandes instituições a pequenos negócios familiares.Independentemente da sua dimensão, há uma característica que é transversal a todos eles: A fuga aos impostos.

Em quase todos os casos com que me deparei, todos os elementos das empresas recebiam quase o mesmo salário, apesar de ostentarem níveis de riqueza totalmente dispares, e porquê? Porque o verdadeiro salário é recebido "por fora", onde os empresários apenas declaram o salário mínimo. Outro dos aspectos mais curiosos que constatei é que os gastos pessoais são quase sempre registados como gastos da empresa, raro o caso onde um empresário paga do seu próprio bolso o seu carro, telemóvel ou almoços em restaurantes.

Com a estrutura fiscal com que Portugal se depara, o aumento da tributação, por exemplo via IVA ou IRS, apenas irá castigar o contribuinte cumpridor e dar maior vantagem relativa a quem executa este tipo de práticas. Provavelmente, estará na hora de um combate ainda mais pró-activo à fuga fiscal e à cultura  empresarial praticada.

Uma outra temática que ressalvo, refere-se ao salário mínimo. Será que os empresários não têm verdadeiramente condições para aumentar os salários, ou receiam ver os seus salários cortados? Será que na realidade existe uma concentração salarial tão elevada no sal.mínimo, ou existe espaço para aumentar os salários desafogando os contribuinte cumpridor? 

As únicas certezas que poderei dar é que a economia paralela registou o valor de 26.81% do PIB no ano de 2014 (Dívida Pública representaria assim 101% do PIB, no lugar dos 129% verificados); que segundo um estudo da Ernst&Young, Portugal ocupa a 5º posição entre os 38 países mais corruptos da Europa Ocidental e de Leste e do Médio Oriente, Índia e África; e que o custo de trabalho em Portugal é francamente baixo face aos valores médio europeus.

 

…E a escravatura continua.

É difícil acreditar que mais de um século após a abolição da escravatura ainda há seres humanos a serem traficados como mercadorias. O tráfico humano, ou a escravidão moderna, inclui o tráfico sexual de adultos e crianças, trabalho forçado, servidão por dívida, servidão doméstica, trabalho infantil e recrutamento de crianças soldados. A escravatura é considerado como o segundo “negócio” ilegal mais lucrativo. Este mal é causado pela pobreza extrema, conflitos armados, discriminação social, corrupção, fracas instituições políticas, a desestruturação das famílias, etc. Basicamente, todos os países são afectados, por este motivo é considerado como um problema global que exige esforços coordenados de todas as nações e organismos internacionais. Mas infelizmente alguns países, por motivos políticos, sociais, económicos, não têm a mínima capacidade para combater os traficantes, criando as condições ideias para a prática deste crime hediondo contra a dignidade humana. No entanto, a coordenação de esforços não é só a nível institucional, a sociedade civil também pode contribuir para combater este crime, através de uma maior sensibilização das pessoas, por exemplo, com as seguintes acções: campanhas de informação, acções de formação para prevenção e denúncia, apoio a vítimas, a eliminação de produtos resultantes de escravatura. Nunca seremos completamente uma sociedade desenvolvida, enquanto houver seres humanos privados do seu direito fundamental de liberdade. É possível acabar com a escravatura, mas para isso é necessário combater, citando apenas algumas das causas, as desigualdades de rendimentos, guerras civis, a corrupção e o capitalismo selvagem. Recomendo a leitura do Relatório sobre Tráfico Humano do Departamento de Estado Norte-Americano de 2015 (http://www.state.gov/documents/organization/245365.pdf).