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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

A importância de crescer a 2% ao ano

COIMBRA – O Governo apontou, recentemente, como previsão de crescimento económico para 2015, um valor a rondar os 1,6%, uma décima acima da previsão feita no início do ano, de 1,5%. O Presidente da República cedo desafiou os portugueses e todos os agentes económicos em geral a atingir, ainda este ano, um crescimento para o PIB de 2%.

 

Esta questão foi um tanto ou pouco ignorada pela comunicação social e pela sociedade em geral, o que me leva a querer esclarecer a importância de uma economia crescer a 2% ao ano. O crescimento do PIB (valor da riqueza criada numa economia) é obtido pela conjugação de três importantes variáveis básicas: o stock de capital da economia (máquinas e transportes, por exemplo), o capital humano (os trabalhadores) e as alterações tecnológicas (uma inovação ou uma descoberta relevante, por exemplo). A ideia é combinar estes fatores de produção e permitir que o produto cresça a longo prazo, fazendo-o rondar o seu nível potencial, isto é, o nível que atingirá caso todos os recursos estejam a ser utilizados de forma eficiente.

 

Uma economia que cresça sempre a 2% ao ano, apesar de ser um valor que parece modesto, tem um grande efeito nos padrões de vida durante décadas, pois o crescimento perdura infinitamente e os seus efeitos vão-se acumulando. Contando com um nível de inflação estável (que permite que os custos de vida se mantenham fixos), um crescimento de 2% ao ano dobra o rendimento real em cada 36 anos e quadruplica-o ao fim de 72 anos. Isto significa que cada geração teria, em média, o dobro dos padrões de vida dos pais, e que quadruplicaria esses mesmos padrões durante todo o período de vida.

 

Ano PIB (com crescimento de 2%/ano)
2000 100
2010 122
2030 182
2050 272
2070 406
2100 739


 

A conclusão é a de que pequenos acréscimos de PIB causam grande impacto no longo prazo. Para além disso há benefícios associados ao crescimento económico que não podem ser ignorados, tais como a melhoria dos padrões de vida, a melhoria dos acessos às tecnologias e a estilos de vida superiores e o aumento do rendimento geral da população, se tal crescimento for acompanhado por políticas que reduzam as desigualdades (causadas pelas tecnologias e substituição do homem pela máquina) e promovam a equidade. A questão do crescimento económico em Portugal não deve, assim, ser descurada, e deve ser tida em conta como importante motor de enriquecimento e progresso das nações.