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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Como eu não queria ser Grego

Importantes e conceituados economistas têm-se manifestado, nas últimas semanas, como é natural, acerca da situação da Grécia. Tenho procurado saber aquilo que pensam tanto os que tradicionalmente são mais virados à esquerda, como aqueles que tradicionalmente se posicionam à direita do jogo político.

 

Joseph E. Stiglitz, prémio Nobel da Economia, já foi peremtório e esclarecedor quanto ao seu ponto de vista: o que a Europa está a fazer é um ataque à democracia Grega. O economista refere que é um absurdo a troika exigir excedentes orçamentais primários de 3,5% do PIB até 2018, diz que o Governo poderia muito bem não ter usado o referendo pois está tão só a cumprir o programa eleitoral (combater as políticas de austeridade) e que um voto pelo "não" daria à Grécia a “única possibilidade, com a sua forte tradição democrática, de agarrar o seu destino com as suas próprias mãos”.

 

Também Paul De Grauwe, conceituadíssimo economista europeu, já veio defender uma reestruturação da dívida grega, fornecendo-se liquidez à Grécia com auxílio do BCE através do programa Outright Monetary Transactions (em que o Banco adquire, no mercado secundário, dívida e obrigações dos Estados-Membros), tornando, assim, a dívida sustentável e dando à Grécia o direito a aceder aos mercados sem ter que pagar juros proibitivamente altos.

 

Em Portugal, Nicolau Santos aparece na outra via política. Ele, e outros economistas portugueses, acusam o FMI, que já nos auxiliou por três vezes, e a sua directora, de estarem a dificultar a vida à Grécia. Isto porque Lagarde, em final de mandato e a querer renová-lo, pretende atender às pretensões de países como Brasil e China que contestam o excessivo dinheiro que o Fundo empresta à Europa, uma das regiões mais ricas do mundo. Por isso mesmo, o FMI tem sido exigente como nunca, não concordando com medidas como o aumento de impostos para quem tem lucros extraordinários, a tributação do jogo online ou o corte em despesas na Defesa.

 

Já aqui defendi, neste mesmo espaço, que a reestruturação da Dívida Grega tem que ser feita, e vai ser feita, mais cedo ou mais tarde. E a verdade é que, perante esta postura do FMI, a Europa tem que assumir a resolução da crise, não deixando que seja uma instituição não europeia a travar os acordos!

 

Neste momento, queria ser tudo menos Grego. Indeciso entre o “sim” caso acreditasse que a Europa iria resolver o problema da Grécia por si própria, não a deixando cair numa depressão sem fim; e o “não” que, de certa forma, daria legitimidade à Grécia para resolver o problema por si própria, embora com riscos elevados.