Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Consolidação Orçamental Expansionista

Desde o principio da propagação da presente crise financeira global para a crise da dívida nos países europeus, têm sido constantemente aplicadas Políticas Orçamentais Contraccionistas, com novos cortes na despesa pública e aumentos na tributação sobre os contribuintes. Porém, as previsões de crescimento apareceram quase sempre defraudadas quando comparadas com os verdadeiros valores observados.

Durante este período, permanentemente se colocou em causa a competência de grandes nomes da actualidade económica, diversos agentes políticos e instituições com a maior reputação, que surpreendentemente pareciam não observar os sinais que a "economia real" lhes transmitia. Tal situação deveu-se à esperança de mais uma vez se constatar a presença de um dos pilares que sustentam as crenças relativas às políticas da austeridade: Os Efeitos não-Keynesianos da Política Orçamental. Este tipo de evento ocorre, quando contra tudo o que se poderia esperar devido ao efeito dos multiplicadores económicos e estabilizadores automáticos (subsídios desemprego e impostos), uma política contraccionista resulta em crescimento económico.

A observação empírica destes episódios têm evidência universal e intemporal, com registo na Dinamarca (80's), Irlanda (1986/87), Nova Zelândia (90's), e curiosamente em Portugal no ano de 1986.

Diz a teoria que tais eventos resultam quando não existe desconfiança sobre os rendimentos futuros, evitando que os agentes económicos diminuam o consumo por motivos de precaução e quando as taxas de juro da dívida soberana se propagam para o sector privado, estimulando o investimento. Também poderá dever-se à substituição da despesa pública por privada, à libertação produtiva para o sector privado e à moderação salarial típica de momentos de crise que beneficiam geralmente o potencial exportador.

Contudo, com a imposição de sobretaxas, cortes temporários, com as ineficiências que os mercados apresentaram após a falta de liquidez de 2008, quando a moderação salarial transitou para desemprego, e quando o potencial exportador é limitado devido à transversalidade da crise, parece óbvio que esta crença se demonstre infundada. A  meu ver é inconcebível que, como tantas vezes aconteceu, a "Austeridade Expansionista" seja apresentada como argumento ou justificação para os cortes aplicados nos países da Zona Euro.