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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Depois da tempestade, vem a bonança.

A zona euro cresceu 0.4% no primeiro quarto de 2015. As projeções do FMI apontam para um crescimento de 1.5% em 2015 e 1.6% em 2016. A recuperação económica da zona euro já é uma certeza pelo menos no médio prazo. Contudo, este crescimento resulta sobretudo das condições monetárias acomodatícias criadas pelo BCE e de uma forte queda no preço do petróleo. A crise da dívida soberana obrigou alguns países da zona euro a implementarem duras medidas de consolidação orçamental (austeridade), com vista a inverter uma trajetória fiscal insustentável. Essas medidas de austeridade foram alvos de críticas, revoltas populares e provocaram mudanças políticas radicais (Grécia). Não há dúvidas de que a austeridade foi necessária para corrigir o problema do constante enviesamento expansionista da política orçamental, alertar sobre a necessidade de reformas estruturais, e de certa forma, serviram como um sinal da existência de falhas na governança económica da União Europeia. No entanto, uma das principais falhas da austeridade foi o timing de implementação e o erro na previsão dos efeitos dos multiplicadores orçamentais. Exigiram-se demasiados sacrifícios em pouco tempo e numa situação de recessão económica, os efeitos dos multiplicadores orçamentais são acentuados, logo políticas orçamentas contracionistas tendem a ter maiores efeitos negativos sobre a economia. As consequências sociais foram nefastas: elevado desemprego jovem, aumento da taxa de desemprego estrutural, desigualdade social, etc. E no auge da crise, houve um risco elevado de acontecer uma “Eurexit”, ou seja, a saída de alguns países da União Europeia (se considerarmos a hipótese de um efeito dominó, significaria o fim do projeto europeu). Espero que as lições da crise não sejam esquecidas, pois temos um “animal spirits” que nos leva a repetir os erros do passado, e bem sabemos que a história tende a se repetir. A recuperação económica não pode significar o adiamento da necessidade de implementação de reformas estruturais.