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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Extra: Mudam-se os ministros, mudam-se as vontades

Antes de mais, lamento a frequência excessiva das crónicas relativas à actualidade grega, e dos tópicos "Extra". Porém, não há como evita-los pois os acontecimentos que decorrem dentro da nação helénica são de especial relevância.

 

Há sensivelmente uma semana,  6.161.140 votaram no referendo proposto pelo governo de Alexis Tsipras, onde expressaram o seu desacordo relativamente ás políticas de austeridade sugeridas pelos credores. Mas qual o objectivo de Tsipras com este referendo? 

Horas após os resultados finais, Yanis Varoufakis, à data Ministro das Finanças demitiu-se dando lugar a Euclid Tsakalotos. Porém, qual não foi a surpresa do povo grego, quando o novo ministro veio defender exactamente o paradigma oposto ao expressado no passado Domingo. Consequentemente, foi nesta madrugada de 11 Julho aprovado no parlamento, um surpreendente novo programa de austeridade como meio para obter um novo resgate.  Contudo, tal aprovação não foi obtida apenas pela coligação Syriza-ANEL, pois contaram com 8 abstenções, 2 votos contra (incluindo a do ministro da energia Lafazanis) e a ausência de 7 deputados que nem compareceram no parlamento, entre eles....Yanis Varoufakis. Segundo o Jornal "Enikos", Tsipras terá ponderado pedir a demissão dos dois ministros que se abstiveram, Panagiotis Lafazanis e Dimitris Stratoulis.

Onde reside o sentido democrático demonstrado no referendo, e a convicção com que Tsipras ameaçou se demitir caso tivesse de aplicar mais austeridade sobre o seu povo?

A única explicação que me ocorre, é que o verdadeiro líder da "luta anti-austeridade" seria Varoufakis e não Tspiras, onde a mudança na pasta das finanças viria a alterar radicalmente as premissas defendidas pelo partido. Apesar disto, Yanis Varoufakis justificou com “motivos familiares” a sua ausencia, e alegou que votaria a favor se lá pudesse estar. Para já o povo grego já se manifesta nas ruas, com o lema “Quando dizemos Não, queremos dizer Não”.