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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Mais preocupações

Durante os anos da troika, Portugal conseguiu algo inédito no período democrático: obter excedentes externos. Ora, num relatório emitido recentemente pelo Banco de Portugal, é possível concluir que nos primeiros 5 meses do ano de 2015, o nosso país voltou a obter défices externos, medidos pela balança corrente e de capital. Os superavits obtidos entre 2012 e 2014 deveram-se, sobretudo, à forte contração das importações e ao crescimento das exportações de bens e serviços. Agora, o défice apresentado entre janeiro e maio deste ano mostra uma forte queda nos fundos recebidos da União Europeia, mas também uma elevada saída de juros e dividendos para o estrangeiro, fruto da venda de empresas nacionais a agentes externos. No entanto, o relatório mostra também um aumento das importações, revelando que Portugal está a voltar aos vícios do passado: uma economia assente na produção de bens não-transacionáveis e na importação de bens transacionáveis do exterior, com a agravante de, agora, muitas das empresas nacionais que geravam dividendos passarem para as mãos de estrangeiros.

 

Outra preocupação, não menos importante e que até pode agravar a primeira, prende-se com o disparar do crédito concedido às famílias, pela banca, e a redução do crédito às empresas. O crédito ao consumo cresceu, entre janeiro e maio de 2015 (dados do Banco de Portugal), cerca de 52% e o crédito à habitação 25%, o que poderá gerar, a médio prazo, endividamento por parte das famílias. Tão grave quanto isso, este números mostram que os recursos que a banca está a disponibilizar para a economia estão a ser canalizados, em primeiro lugar, para a habitação e para o consumo (sobretudo de bens duradouros) das famílias e não para o financiamento das empresas, um padrão que, mais uma vez, nos conduz aos anos anteriores à crise.

 

Se é verdade que o aumento do consumo das famílias, sustentado pela concessão de crédito bancário, pode ser um “gatilho” para o aumento da atividade económica, também é verdade que a redução do crédito concedido às empresas “estrangula” a atividade normal e a capacidade de investimento destas, para além de que permite às famílias obterem recursos que, ao serem despendidos no exterior, agravam o défice externo, a primeira das preocupações.