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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Mestre dos Jogos

Como não poderia deixar de ser, as atenções continuam a centrar-se em Atenas e o nosso Blog a pairar sobre a Praça Sintagma, mais precisamente, no Parlamento Helénico.

As negociações entre a Grécia e os credores encontram-se num impasse até Domingo, onde perante o último plano de propostas apresentadas pelas instituições se realizará um referendo que dará voz ao povo grego, para que se pronuncie sobre a aceitação de tal documento.

Como é de conhecimento público, a especialização do ministro das finanças grego Yanis Varoufakis assenta numa vertente muito especifica de métodos quantitativos aplicados à ciência económica, a  Teoria dos Jogos. Desta forma, é cada vez mais clara a proveniência da estratégia negocial grega que tanto tem abalado o conservadorismo burocrático mainstream das Instituições.

Como consta nos manuais teóricos de Teoria dos Jogos, uma das maiores dificuldades presentes numa negociação, consiste na obtenção de credibilidade nas ameaças apresentadas (movimentos estratégicos), devido aos custos associados à concretização da mesma. Para lidar com tais custos é necessário implementar um compromisso credível que garanta credibilidade ao agente, e é precisamente aí que Varoufakis e Tsipras se têm demonstrado exímios. 

Desde cedo se constatou o uso destes mecanismos de compromisso, aquando dos discursos categóricos anti-austeridade no período pós-eleições, pouco habituais em governantes europeus (Mecanismo: "Queimar Pontes", evitando que possam voltar atrás nas suas políticas e decisões), e apresentando uma postura e estilo totalmente irreverentes e provocadores (Mecanismo: Criar reputação). E assim, rápidamente revolucionaram as negociações, recusando-se a negociar com o FMI e cessando a capacidade negocial existente sob o formato "Troika" (Mecanismo: Corte de comunicação entre jogadores). Menos sublime, mas não menos eficaz foi o tão polémico início dos contactos com o ditador Putin (Mecanismo: apelo à irracionalidade), terminando agora com a derradeira cartada, o referendo (Mecanismo: Deixar o Processo de decisão fora do controlo do jogador).

Poderemos ou não gostar da irreverência dos governantes gregos, mas é indiscutível a competência deste verdadeiro "mestre" que graças à sua astucia tem conseguido abalar a Europa de Norte a Sul.