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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Não, não é um recomeço... (preocupações conjunturais)

Não, não é um recomeço... partilho apenas algumas preocupações que pairam sobre a actual conjuntura económica, pois avistam-se novos períodos conturbados...

Dimensão global...

Em primeiro lugar, é expectável alterações na condução da política monetária nos EUA. Ao que tudo indica, aproxima-se o fim dos "juros zeros" e a cessão do programa QE (quantitative easing). Dado que o dólar é a moeda de referência do sistema monetário internacional, tal afectará também a política seguida dentro da Zona Euro. O BCE, apesar de ainda não concretizar as metas para o nível de inflação (2%) poderá ser pressionado a acalmar a expansão monetária de forma a proteger o câmbio. Se assim for, poderá ser o fim do financiamento soberano a juros baixos, e poderá novamente haver necessidade uma maior rigidez e disciplina orçamental.

O nível de crescimento mundial está comprometido com o fraquejar dos BRICA's. Depois de uma década a "mascarar" a verdadeira estagnação económica global, a China apresenta agora fortes vulnerabilidades no controlo da sua divisa e sobre a viabilidade dos seus mercados. Angola sofre com a queda do preço do petróleo, enquanto o Brasil se depara com um grave crise política, não tendo mão sobre os fluxos de capital e  dando motivos de preocupalção no que toca à inflação (12%).

No que toca à política e relações internacionais, o período é também de turbulências. Com a ameaça permanente a toda a sociedade ocidental, o auto-proclamado Estado Islâmico vem despertando movimentos extremistas por toda a Europa, onde os partidos de nacionalistas e de extrema-direita vêm ganhando poder nos círculos políticos a Norte e a Este do velho continente.

Enquanto isto, na mais poderosa economia mundial surge uma nova ameaça interna. Donald Trump vem superando todas a expectativas partilhadas pelos analistas políticos, estimulando movimentos anti-islâmicos e anti-hispânicos dentro da civilização norte-americana...Será este o ponto de inversão no processo de globalização?

Por fim, o brexit irá a referendo no próximo mês de junho, pelo que sobre a hipótese de um "não", poderá decorrer um retorno em todo o plano de integração e construção da União Europeia...

 

Ao nível nacional...

O Orçamento de Estado para 2016 foi aprovado, porém sem grande credibilidade nem grande esperança na sua execução. Com os números suportados em multiplicadores sobrevalorizados, o governo de Costa e Centeno encontra-se amarrado a "linhas vermelhas",  vendo-se portanto, forçado a reduzir o número de horas de trabalho (num cenário de baixa produtividade) e elevando o valor do salário mínimo (perante problemas de falta de competitividade externa e de elevado nível de desemprego). A única boa notícia está na substituição da tributação directa pela indirecta...


Resta-nos confiar no legado de Keynes e esperar que os riscos e os desequilíbrios sejam recompensados por maiores ritmos de crescimento económico, caso contrário, corremos o risco de nos deparar com uma nova crise de financiamento...