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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Balanço Desportivo: O Outro Lado da Paixão.

"Fizemos o estudo do impacto económico da final da Champions em Lisboa, em Maio de 2014, o Real Madrid-Atlético de Madrid. O impacto económico a nível mundial foi de 410 milhões de euros. Valores astronómicos. Mas neste caso, os números do Benfica-Porto confirmam a importancia do fenómeno do futebol em Portugal e um negocio que é capaz de gerar muito dinheiro para a economia portuguesa e para muitas empresas diferentes" (Daniel Sá ,2015 - IPAM)

 

Após o inicio da época futebolista nacional de 2015/16 com a supertaça do passado Domingo, e estando o relógio em contagem decrescente para o inicio de um novo campeonato, será de todo oportuno analisar o contributo que esta industria desportiva dá para dinamizar a economia doméstica. 

Muito provavelmente, o leitor ao deparar-se diariamente com notícias de jogadores e salários contratados na ordem dos milhões de euros, sentirá alguma repulsa e indignação face à actual conjuntura económica e social com que o país se depara. Porém, apesar dos valores perversos, não poderemos esquecer que estes são também tributados, e como tal, quanto mais avultado o valor, maior o financiamento estadual pela parte dos privados. Para além disto, os atletas (que tipicamente têm elevados níveis de consumo) irão gastar o seus rendimentos no comércio nacional, ajudando a promover a economia e servindo como um canal de redistribuição de riqueza entre os clubes e a sociedade envolvente.

Passadas as questões contratuais, debrucemo-nos sobre o lado intangível e indirecto da questão: o impacto sobre as marcas, publicidade e no turismo. Que melhor publicidade haverá para uma empresa que pretende expandir-se no mercado internacional que ser dada a conhecer a milhões de espectadores por todo o mundo, num painel publicitário, camisola, ou bancada durante um jogo da Liga dos Campeões? Provavelmente, apenas no intervalo da Super Bowl norte americana, ou prestando cobertura nos maiores festivais musicais do mundo. Para além do comércio que o desporto gera directamente na industria da restauração, hotelaria, têxtil e no merchandising (frequentemente verificam-se enchentes em hotéis e restaurantes em dias de jogos internacionais), a participação nas provas internacionais poderá representar uma ocasião perfeita para dar a conhecer ao estrangeiro o nosso potencial turístico, social e gastronómico, assim como a qualidade dos nossos produtos, e a preços atractivos face ao nível de poder de compra europeu.

 

Passando, da teoria para os números:

 - Segundo um estudo realizado pelo Instituto Português de Administração de Marketing, só o Benfica-FC.Porto da época passada gerou 23,3M€;

 - A final da Liga dos Campeões de 2014 realizada no Estádio da Luz, teve um impacto que rondou os 141M€ na economia nacional;

 - Portugal é líder de receitas de transferências em 2015, encaixando mais de 231M€ em vendas desde 1 de Junho. (entrada de capital estrangeiro em solo nacional);

 - Apesar de não querer entrar em questões clubisticas, verifica-se uma correlação entre o nível de consumo e produção nacional com os resultados desportivos do Benfica. Este facto advém do facto de ser o clube com mais adeptos a nível nacional. (ver artigo no expresso:(Hiperligação) A Troika queria o Benfica Campeão)

 

Os valores que o desporto gera levantam indubitavelmente inúmeras questões morais, mas é indiscutível a sua utilidade analítica. Por vezes, também as paixões mais irracionais podem contribuir para o bem estar comum.