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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

O poder do dinheiro

LISBOA - Na semana passada, ao que parece, foi dada a oportunidade ao antigo Presidente do BES, Ricardo Salgado, de deixar a prisão domiciliária a que estava sujeito e ficar, pelo menos temporariamente, em liberdade, sob o pagamento de uma caução no valor de 3 milhões de euros. É claro que o pagamento deste montante não deve ser o principal problema de Salgado, este apenas estará preocupado em saber se a seguir a esta outras cauções virão.

 

Assim como este exemplo em Portugal, muitos outros há pelo resto do mundo que mostram como o poder político (que em muitos países está ligado ao judicial) está de braço dado com o dinheiro, e se 3 milhões de euros no nosso país é muito, e é, noutros pontos do globo os valores em causa são estratosféricos.

 

O recente escândalo da Volkswagen (VW), em que a gigante alemã falsificava os seus veículos a diesel no que toca aos gases tóxicos que emitiam, veio mostrar-nos que os políticos alemães sabiam há anos desta falsificação, mas a verdade é que não lhes convinha denunciar tamanha infração, dada a importância que a VW tem no peso do PIB alemão. E no PIB português, já agora. É que acabar com o “carro do povo”, popularizado nos tempos de Hitler, chocava com o interesse de milhões de alemães e, assim, o poder político aliou-se à elite e à alta finança.

 

Outros exemplos há, semelhantes a este, como o financiamento dado pelas grandes empreses americanas a candidatos à Presidência nos EUA, em troca de favorecimentos, facilitações e baixos impostos. No Reino Unido, discute-se o financiamento da City de Londres ao Partido Conservador, isto porque este é um dos partidos que é a favor de uma possível saída do Reino Unido da UE, o que favorecia os investidores, amedrontados pelas imposições aos fundos de investimento a serem colocados pela Comissão Europeia.

 

Todos estes são exemplos de casos que ocorreram no século XXI, em países conhecidos pelo contexto de democracia e de separação dos poderes, e é por isso mesmo que nos devemos preocupar.