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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Ponzi Games

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COIMBRA - Nos anos 20 do século passado, Carlo Ponzi, um italo-americano, destacou-se por ter executado uma notável fraude nos EUA. Basicamente, o que este senhor fez foi muito simples: realizava operações dolosas de investimento em esquema de pirâmide, em que convencia investidores a emprestarem-lhe dinheiro e prometia rendimentos extraordinários (lucros), gerados à custa de financiamentos de novos investidores que apareciam posteriormente. Isto é, Ponzi contraía empréstimos junto de investidores para poder financiar as suas próprias dívidas, e assim sucessivamente e de forma infinita.

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Vem isto a propósito de mais uma saga de reuniões entre a Troika e a Grécia com vista a resolver a situação do país governado por Tsipras e Varoufakis, que precisa de dinheiro para pagar aos credores. Esta semana, foram várias as agências noticiosas a descrever o ciclo de reuniões e debates entre as duas partes por forma a haver acordo. A relação já foi boa (como se pode ver pela foto), já passou por uma fase de rutura e esta semana parece ter havido uma pequena aproximação. O certo é que a Grécia tem, até hoje, que pagar 300 milhões de euros ao FMI e, esta semana, a Troika não fez outra coisa se não tentar reunir com o Governo de Atenas para fechar um acordo. Este acordo consiste num auxílio da Troika à Grécia e, em troca, a Grécia aplica determinadas reformas austeras que lhe permitirão receber dinheiro para pagar… à mesma Troika. Confuso? Um autentico Ponzi Game.

 

A pagar juros incomportáveis de 11% para emissão de dívida a 10 anos, com uma escalada de dívida que durará até, pelo menos, ao ano 2054 (http://graphics.wsj.com/greece-debt-timeline/), e com as instituições financeiras sempre à perna, os responsáveis políticos, tanto da Grécia como do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia, terão que, na minha opinião, assumir e ter a coragem de enfrentar a dura realidade. E essa realidade é que a Grécia só tem um caminho: o incumprimento parcial da dívida e sua reestruturação e/ou a saída da Zona Euro.

 

A coragem é o que distingue e deixa marca na classe política e é tempo de ver verdadeiros líderes de países e instituições a assumir que a Grécia não pode nem consegue suportar a sua dívida. Por maiores que sejam os custos associados a essa solução, e serão com certeza muitos e penosos, há que avançar para um plano que permita à Grécia sair deste “esquema Ponzi” o quanto antes, porque quanto mais esta situação se arrastar, mais penoso será para os Gregos, para quem os financia, e para os países como Portugal cujas dívidas ultrapassam os níveis previamente aclarados.

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