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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Solução: reestruturação e federalismo

PORTO – Bem sei que os economistas são acusados de, por vezes, falarem demasiado através do recurso a gráficos e números, mas o Homem inventou os números para serem estudados e os gráficos para serem analisados, por isso, nada melhor que partilhar convosco dois dos gráficos publicados pelo Jornal Expresso, esta semana, numa das suas edições diárias.

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É mesmo o que parece: a Grécia é o segundo país com maior dívida pública em percentagem do PIB, só superada pela Japão, cuja situação não é tão perigosa devido ao fato de a dívida japonesa ser maioritariamente contraída internamente, enquanto que a Grécia deve dinheiro principalmente a credores oficiais como o FMI. É verdade que Atenas teve como principais credores bancos franceses e alemães até ao primeiro resgate. Mas, esse primeiro resgate serviu tão só para “livrar” esses bancos, ou seja, apenas uma pequena parte do resgate de 2010 chegou e serviu à Grécia. É por isso que defendo, tal como já aqui referi, uma reestruturação da dívida grega, aumentando prazos de maturidade e reduzindo taxas de juro, de forma a suavizar os 177,88% de dívida pública no PIB.

 

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Mas só a reestruturação não chega. Neste último gráfico, fornecido pela Comissão Europeia, verifica-se que a austeridade aplicada ao povo Grego foi dura, pode até ter sido exagerada, mas resultou em termos de equilíbrio orçamental. Entre 2009 e 2014 o défice orçamental minorou-se, tendo atingido no último ano um valor de 3,5% do PIB (inferior ao português), e até se atingiu um superavit primário (que não conta com os juros pagos por dívidas de anos anteriores). Quer isto dizer que a reestruturação tem que ser acompanhada por medidas que beneficiem as contas públicas, reduzindo os consumos intermédios do Estado, as despesas em Defesa ou alguns benefícios sociais, e melhorando o sistema fiscal, tributando o património e os lucros das grandes empresas, por exemplo. Ademais, a reestruturação da dívida deve também ser acompanhada, em meu ver, por um resgate concedido exclusivamente pelo Mecanismo Europeu de Estabilização (sem contar com a ajuda do FMI), de forma a devolver à Grécia, e ao sistema bancário, a liquidez de curto prazo que urgentemente necessita.

 

Não acredito num “Grexit”, seria um desastre para Atenas no curto e médio prazo, implicaria que Portugal e outros países com desequilíbrios macroeconómicos (dívida pública e privada exagerada, défices comerciais, peso excessivo dos não transacionáveis, alta taxa de desemprego,…) fossem arrastados mais tarde ou mais cedo, e poderia trazer até implicações ao nível geostratégico e humanitário. O que é verdade é que, para que tal não aconteça, a União Europeia, mais do que nunca, terá que voltar-se para dentro e mostrar que é uma verdadeira União, capaz de mover-se para o federalismo sem se moldar à imagem e pensamento de um só país.