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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

O que os privados fazem

COIMBRA - Na semana passada li um artigo de opinião de Luís Cabral, conceituado economista português e professor na Universidade de Nova Iorque, que descrevia o modo como o Central Park era gerido e financiado. Escrevia este economista que o conhecido parque praticamente não recebe qualquer apoio do Estado, e que não é por isso que é um parque sujo e poluído, mas sim um sítio onde se praticam atividades lúdicas e se assiste a concertos e a espectáculos de teatro. Basicamente, o parque é financiado por contribuições privadas e, segundo ele, a criação de uma fundação própria para a gestão do Central Park permite que este seja um dos locais mais admirados de Nova Iorque. O que seria então do parque se fosse financiado e gerido pelo Estado?

 

Ocorreu-me contar este episódio para associar com a recente privatização da TAP. A transportadora aérea estatal foi avaliada recentemente pela PwC e pela Deloitte em valores negativos de 274 milhões de euros e 512 milhões de euros, respectivamente, tem uma dívida de 1062 milhões de euros (dos quais 600 milhões são dívidas a bancos) e precisa urgentemente de renovar a sua frota de aviões.

 

É de todo aceitável, portanto, que seja privatizada. Se a empresa, que pertence ao Estado, dá prejuízo mas suscita o interesse a privados, porque não privatizá-la? Vão aumentar os preços? Pois que aumentem, porque a concorrência que a TAP enfrenta é a da Lufthansa, British Airways ou Air France que praticam preços mais altos. Mas oferecem melhor serviço? A privatização vai permitir uma entrada de capitais de, pelo menos, 338 milhões de euros, que fará aumentar a qualidade e o número de rotas a servir pela TAP.

 

E não será que as low costs vão passar a ter maiores vantagens de preços? Pois que tenham, porque é aí que está a principal vantagem desta privatização: David Neeleman, novo dono da TAP e conhecedor do mercado americano, permitirá que a TAP passe a explorar este continente, renovada e com os capitais reforçados, pronta a conquistar novas redes e clientes. O mercado europeu é, agora, em parte, dominado pelas low costs e serão estas, a par das companhias asiáticas, a controlar a zona Este do globo, o que exige uma nova estratégia para a companhia portuguesa (se é que alguma vez tenha tido uma estratégia). Privatizar a TAP? Claro que sim, por tudo isto e porque não deve ser pública.

Economia Azul

PORTO – Finalmente! Na semana passada ocorreu, em Lisboa, a “Semana Azul”, dedicada em exclusivo ao debate e discussão de assuntos relacionados com o mar. Aproveitando o contexto em que estavam inseridos os eventos da “Volvo Ocean Race” e da “Conferência dos Oceanos”, organizada pela revista “The Economist”, o Ministério da Agricultura, do Mar e das Pescas juntou a estes eventos um Fórum Empresarial e uma Conferência Ministerial, em que estiveram presentes em debate 70 ministros de todo o mundo, ligados aos assuntos marítimos. Entre empresas, universidades, institutos, laboratórios e fundações, o assunto que dominou a semana foi o mesmo: o mar.

 

Ao que parece, o objetivo do actual Governo passa pelo aumento do peso do setor marítimo em Portugal. Atualmente, a economia do mar perfaz 3% do PIB e o objetivo passa por chegar aos 4,5% até 2020. O potencial deste setor é imenso. Segundo um relatório do Banco de Portugal, divulgado no mês passado, o setor do mar é constituído por 2500 empresas, que representam apenas 0,7% das empresas no nosso país e apenas 1,1% do volume total de negócios em Portugal. Estes valores são medíocres para um país que faz fronteira com o mar.

 

É necessário garantir um maior controlo das pescas, por dois motivos: primeiro porque têm um peso excessivo no total de empresas ligadas ao mar, o que faz com que haja muita competição e pouca eficiência; depois, porque é necessário reduzir a actividade piscatória para que possamos ter um stock ótimo de peixes, isto é, para garantir a regeneração do pescado e evitar a sobre-exploração. É necessário também reforçar o apoio a outros setores marítimos. Criar linhas de crédito para empresas ligadas à construção e reparação naval ou para empresas ligadas aos transportes marítimos seria uma boa solução.

 

Vejo também com bons olhos a aposta na criação de linhas ferroviárias que ligam o porto de Sines à fronteira com Espanha, contribuindo para que Portugal se torne um autêntico “porto da Europa”. Acredito ainda que deveria ser feita uma maior aposta e dado um maior apoio ao comércio ligado ao mar, tanto na área da restauração como na área do Surf e outras atividades desportivas. Espero e desejo que não se trate apenas de uma moda, no entanto, é de saudar esta iniciativa governamental que deu origem à “Blue Week”, dando um pontapé de saída no reconhecimento do papel que Portugal tem ao nível internacional no que toca à “governança dos oceanos”. Finalmente!