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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Estratégia Europeia

“A policy geared solely to attaining quantitative consolidation targets in the short term runs the risk not only of curbing growth but also of increasing debt.” (Hans Eichel)

 

Esta semana partilho com o leitor a concordância com o artigo de Ashoka Mody, publicado no Think-tank Bruegel (ver aqui a hiperligação), no qual alerta para os riscos provenientes da forte consolidação de curto prazo relativamente à Grécia (também a  Portugal, porém a uma escala menos acentuada), tanto para o país em questão como para a restante união. Segundo o artigo, a grande preocupação com a disciplina orçamental e com o risco de incumprimento em países cujos indicadores macroeconómicos são menos favoráveis, têm comprometido os principais objectivos da União Económica e Monetária (UEM) tanto a curto como a longo prazo.

Primeiramente, a meu ver, o risco de deflação continuará a manter-se em cima da mesa mesmo com os juros a 0% e um cenário de "armadilha de liquidez". Tal  situação não é de todo surpreendente e facilmente explicada pela lei mais básica da economia: a lei da oferta e da procura de Alfred Marshall. Segundo esta, os preços apenas aumentarão quando houver um aumento da procura face à oferta. Tal não é de todo previsível quando as políticas de consolidação diminuem drasticamente o poder de compra em países intervencionados. É verdade que muitos países têm um nível de consumo superior ao nível de produção, e o poder de compra apenas irá desequilibrar a balança comercial, mas esta correcção deverá resultar essencialmente de reformas estruturais, no lugar de meros cortes que em nada alteram as questões de fundo.

Na minha opinião, é nesse "trade-off" que as instituições europeias se deverão focar. a) Ou se debruçam sobre o cumprimento dos compromissos através de fortes consolidações, comprometendo os objectivos de crescimento e de inflação, ou b) debruçam -se sobre objectivos de longo prazo, com reformas de fundo (também envolvem custos sociais) acompanhadas por investimentos produtivos, mas cujos resultados não serão perceptíveis no presente.

Contudo, não é apenas sobre os objectivos da UEM que deve recair a atenção, mas também ao nível interno, nomeadamente sobre a sustentabilidade da dívida. Tal como apresentado por Irving Fisher, "quando os níveis de dívida são elevados, o reembolso da dívida aumenta o seu peso. No esforço para pagar a dívida, o consumo e o investimento são reduzidos, o que faz com que os preços e salários caiam. Assim, como as obrigações da dívida não diminuem, a carga do reembolso irá consequentemente aumentar. A Grécia tem tido um ciclo de dívida-deflação nos últimos dois anos. Os preços e salários gregos estão em declínio, o que apesar de poder ajudar no longo prazo, por agora, os rácios da dívida em relação ao rendimento estão a ser empurrados para cima. A austeridade adicional vai reforçar essa tendência."

Termino com a questão deixada pelo autor: Com o arraste de austeridade, a espiral de dívida-deflação, e uma economia internacional fraca, de onde é que a recuperação grega projectada virá?