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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Prosseguimento Governativo

 

 

Os portugueses foram às urnas, a abstenção contra o que tudo indicava não diminuiu, e a escolha recaiu sobre a continuidade do actual governo. Uma escolha pelo conservadorismo e uma maior ortodoxia governativa, mesmo que com menor estimulo económico.

Este foi o culminar de uma síntese de episódios que vieram beneficiar o actual governo: uma conjuntura favorável fornecida pelo BCE, com a Refi (taxas de juro referência) em mínimos históricos (responsável pelo aumento do consumo, investimento, e consequente produto); uma maior dispersão dos votos "à esquerda" (nomeadamente com o fenómeno Mariana Mortágua); um conjunto de peripécias, escândalos e polémicas do  ex-ministro socialista, José Sócrates; e uma série de momentos "menos felizes" de António Costa.

Longe está o cenário de estabilidade governativa. A coligação PàF não obteve a maioria absoluta, e como tal, terá enorme dificuldade em fazer aprovar o Orçamento de Estado para 2016. Se tal não se realizar, será dada uma oportunidade para entendimentos entre os partidos da esquerda.
 Em termos práticos, prevê-se uma governação com poderes limitados, e uma instabilidade política cujas consequências são sempre incertas.

Partilho assim, os resultados finais das Legislativas 2015 (faltam 4 deputados eleitos por residentes no estrangeiro):

 

leg15.png

 

 PS (de post scriptum): Concretiza que a pasta ministerial das finanças se manterá no posse de Maria Luís Albuquerque. Porém, a meu ver e por uma questão de transparência, o nome de Pedro Portugal poderia estar em cima da mesa, tendo sido o líder do plano estratégico da coligação. 

Grundrisse* à Portuguesa

*Grundrisse(1858)- Pequena obra de Karl Marx onde  debate a propriedade pública face à privada.

 

De regresso à realidade, declaro com este artigo o término das minhas tão prezadas férias, e o retorno à nossa epopeia que ainda tanto terá a narrar.

 

Já às portas da campanha eleitoral, após o grande frente a frente entre Passos e Costa, e com as sondagens desfavoráveis a prognósticos, chegou a altura de analisar um pouco o que está realmente em causa no próximo dia 4 de Outubro.

Provavelmente, o eleitor mais distraído estará um pouco confuso sobre o que terá para oferecer o PS como "Alternativa de Confiança" e que consequências trará eventualmente o plano económico liderado por Mário Centeno. A primeira dificuldade estará certamente em enquadrar o Partido Socialista ideologicamente, onde a coligação PAF procura distanciar-se remetendo-o para um esquerdismo radical, relacionando com o fenómeno desastrado do Syriza e, por outra via, os partidos mais à esquerda (CDU/BE) interpretando num sentido oposto e, de forma a evitar o "voto útil", o comparam com os partidos da coligação devido à concordância com o pacto orçamental.

Desengane-se quem pensar que estas eleições estão assentes num vazio ideológico e que os programas do PS e do PAF não diferem ao nível estratégico. Pelo menos ao nível da política económica, o debate mostra-se muito aceso e espelha as diferenças dos partidos a este nível, ressurgindo uma vez mais o "duelo" já aqui partilhado (ver: Duelo Centenário: Keynes Vs Hayek) entre a perspectiva Keynesiana e Neoclássica.

O programa eleitoral da coligação PAF que junta PSD e CDS recai claramente sobre uma perspectiva de continuidade e de uma governação ortodoxa, onde o Estado têm uma intervenção muito ténue no que toca a estímulos orçamentais. Como referido pelo actual Secretário de Estado de Emprego, Octávio Oliveira, o actual governo defende que "Não é o Estado que pode criar emprego" e como tal procura estimular a economia pela via da oferta, tal como tem vindo a ser manifestado com a política de privatizações empreendida.

Por sua vez, o Partido Socialista tem assumido uma postura antagónica, fundamentando o seu plano nas premissas Keynesianas. Ao contrário do actual governo, o PS vai procurar usar a política orçamental como instrumento para estimular a procura agregada, prometendo (ou comprometendo-se a pôr em prática as medidas que se prevêem que levem a...) à criação de 207 mil postos de trabalho, aliviar o IVA na restauração (23%-12%) e na TSU, e pondo em causa rever em alta os valores do salário mínimo nacional.

A meu ver, a proposta dos "peritos" do PS tem pontos de elevado interesse, começando pelo regresso do imposto sucessório, e pela preferência por objectivos delineados no lugar das típicas e demagogas finalidades. Porém, tem revelado alguma incúria relativamente ao défice estrutural, à sustentabilidade da segurança social e, algumas debilidades na justificação das receitas esperadas. Em caso de vitória socialista, estou seguro que o grau de sucesso do plano dependerá em larga escala do funcionamento dos sempre imprevisíveis multiplicadores, que tantos problemas trouxeram anteriormente a Sócrates, assim como a Vítor Gaspar.