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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

A Prudência "Fediana"

Não há dúvidas que o mundo ultimamente está caótico, desde a crise dos imigrantes até à turbulência económica na China. E mais o “Das Problem”, o escândalo da Volkswagen que tem manchado a reputação da grande indústria automóvel alemã, e mais lamentável ainda, são os sérios efeitos para o meio ambiente. Mas vou deixar estes temas para outro fórum. Vou falar de menos um problema para o mundo, pelo menos por enquanto, que é a decisão do FED (Banco Central norte-americano) de manter as taxas de juros no “zero lower bound”, ou seja perto de zero. Um dos objetivos do FED é o pleno emprego, estabilidade dos preços e taxas de juro de longo prazo moderadas. O primeiro objetivo está perto de ser alcançado, a taxa de desemprego nos EUA situou-se em 5.1% no mês de Agosto, enquanto a taxa de inflação tem-se mantido muito abaixo da meta do próximo de 2%, tendo atingido somente 0.2%, em termos anuais, no período referido. Foi esta uma das razões que levou o FED a adiar a tão esperada subida das taxas de juros. Mas pela primeira vez, o banco central norte-americano também levou em conta as condições financeiras incertas ao redor do mundo, principalmente nos mercados emergentes, em particular a China. Uma subida da taxa de juros teria dois principais efeitos: uma apreciação da moeda americana, que poderia penalizar as exportações, e por esta via o crescimento económico, e um "repatriamento" de capitais para os EUA que afetaria negativamente o nível de investimento a nível mundial, que não seria compensado pelos efeitos positivos da depreciação da taxa de câmbio nos países afetados, dada a magnitude dos movimentos de capitais. Portanto, foi prudente a decisão do FED manter a política monetária acomodatícia durante mais algum tempo, até que pelo menos haja certezas de que a economia mundial, e não só os EUA, está preparada para uma normalização das condições monetárias.

EUR vs USD: Paridade ou Inversão?

Atualmente, a moeda única tem perdido valor face à moeda norte-americana. A depreciação do Euro face ao USD já atinge, em termos anuais, cerca de 20%. Esse comportamento da taxa de câmbio EUR/USD resulta de semelhantes políticas monetárias dos respectivos bancos centrais, mas também de diferentes timings de implementação. Com o objetivo de combater a Grande Recessão económica, bem como atingir a meta de inflação e desemprego, os bancos centrais implementaram um conjunto de políticas monetárias não convencionais, tais como a redução da taxa de juro de referência para níveis próximos de zero (ZLB – Zero Lower Bound), aquisição de ativos (QE-Quantitative Easing) e gestão activa das expectativas (Forward Guidance). O resultado foi uma massiva injeção de liquidez nos mercados financeiros que causou a depreciação do USD, visto que o FED tomou a dianteira neste tipo de políticas, e de seguida a depreciação do Euro dada a decisão do BCE seguir, tardiamente, a abordagem americana. Com a recuperação económica nos EUA, o FED começou a alterar o rumo da política monetária. Essa mudança traduziu-se na redução da compra de ativos e dentro em breve traduzir-se-á no aumento da taxa de juro de referência. Enquanto na zona Euro, a recuperação económica caminha a um ritmo mais lento, logo não se prevê tão cedo uma mudança de abordagem do BCE. Com base nisso, algumas previsões dos analistas têm apontado para uma paridade da taxa de câmbio (1 EUR – 1 USD). No entanto, em função da magnitude, o principal efeito do aumento da taxa de juro do FED seria uma apreciação do USD resultante dos movimentos internacionais de capitais (principalmente, a arbitragem internacional), logo o diferencial de taxa de juro entre as duas moedas estará na base da apreciação do USD face ao EUR. Desta forma, uma combinação da redução das compras de ativos e aumento da taxa de juro por parte do FED, bem como a recuperação económica nos EUA e a manutenção da política monetária do BCE causará, com maior probabilidade, uma inversão da taxa de câmbio EUR/USD em vez de paridade. Ou seja, a moeda única a valer menos que o dólar norte-americano.