Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Renegociação da Dívida - Do que estão à espera?

Um apelo ao bom senso e à inversão de uma dinâmica, que já há muito é insustentável.

 

Antes das passadas eleições gregas de Janeiro, as metas impostas à Grécia pelas instituições (vulgarmente denominada Troika) com vista à promoção da sustentabilidade da dívida pública, apontavam para excedentes orçamentais (saldo orçamental subtraído do serviço de dívida anual) de 3%, e de 4,5% de 2016 a diante. Não esqueçamos que trata-se de uma economia com uma taxa de crescimento de uns míseros 0,9%, que carece de medidas de estímulo económico. Contudo, apesar dos excedentes primários obtidos,  o seu saldo orçamental (total) fixou-se nos -3,8% (note-se o peso que os juros têm sobre o saldo). Será necessário uma maior consolidação e cortes nos gastos públicos? Nesta instância, o debate já não se centra na sustentabilidade da governação, mas na governação necessária para garantir a rentabilidade acordada dos títulos de dívida. A política orçamental está amarrada ao serviço da dívida e os níveis de pobreza continuam a aumentar.

Segundo a literatura, existe um cada vez maior consenso (que já atinge os departamentos do FMI e os quadrantes mais à direita do circulo político nacional) relativamente à insustentabilidade das dívidas nos países da periferia europeia, e a consequente necessidade de renegociação das suas dívidas. Dada a conjuntura, esta situação é agravada pela ausência de inflação que sempre foi a grande aliada na  gestão da dívida, através da valorização do PIB nominal e consequente "imposto inflacionário" sobre a dívida.

Desta forma, apelo à renegociação das maturidades associadas às obrigações, dos juros e da aplicação de períodos de carência do serviço de dívida, para que seja fornecida a margem necessária para inverter esta trajectória através do denominador da dívida, o produto. Quanto maior a taxa de crescimento económico face às taxas de juro, mais depressa o ajustamento da dívida será efectuado, e menor proporção terá em percentagem do PIB.

Seria de esperar em condições normais, que  no imediato enfrentássemos um atitude hostil dos mercados, mas que em contrapartida, no longo prazo a sustentabilidade da dívida viesse a reduzir o risco de incumprimento, e como resultado, as taxas de juro das obrigações soberanas. Porém, enfrentamos um período atípico com as taxas de cedência de liquidez (Refi) historicamente baixas e sob a batuta do programa QE (Quantitative Easing). Desta forma, a actuação do BCE viria a amortizar os efeitos especulativos resultantes da renegociação.

 

É uma oportunidade única. Do que está a Europa à espera?