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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Três Décadas de Portugal Europeu: Produtividade I

No relatório “Três Décadas de Portugal Europeu: Balanços e Perspetivas” é feito um balanço do desenvolvimento de Portugal desde a adesão à União Europeia. Dentre os vários temas, vou abordar a evolução da produtividade nestas últimas três décadas. Conforme o referido relatório, o crescimento da produtividade em Portugal, situou-se em 73% entre 1986 e 2013, contudo não foi suficiente para alcançar o padrão europeu. Tendo crescido, entre 1986 e 2013, de 28% para 64% da média europeia. Sendo a economia portuguesa ainda considerada como mais de crescimento extensivo do que intensivo. Apesar de um desempenho bastante positivo, de 4%, nos primeiros 8 anos após a adesão (1986 – 1994), resultante de reformas legais que reduziram as horas de trabalho semanais. A partir de 1994, o crescimento da produtividade tem sido marginal, pouco mais acima de 1%, agravado por uma estabilização do número de horas de trabalho por empregado. Os ganhos registados na taxa de emprego nos anos 90 resultantes da entrada das mulheres na vida profissional e de um grande fluxo de imigrantes não compensaram as perdas resultantes da deterioração do mercado de trabalho na primeira década do século XXI. O desempenho negativo da produtividade em Portugal foi agravado pela recente crise financeira. Desde 2008, a variação média anual da taxa de atividade e emprego, situou-se em 0.7% e -1.2%, respectivamente. Uma análise setorial da produtividade traz à tona os graves contrastes da economia portuguesa: o setor financeiro tem acompanhado bem os seus pares europeus, em termos de produtividade (6% abaixo da média), um desempenho que contrasta com o do setor primário, considerado como um dos piores da Europa (61% abaixo da média). Deste modo, o relatório conclui sobre essa temática, que o reforço da coesão económica em Portugal passa por uma maior aposta nas políticas de concorrência, reformas fiscais, empreendedorismo e numa alocação mais eficiente dos recursos (considerada como a principal causa da queda da produtividade no período considerado).