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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Uma abordagem Neoclássica

PORTO - O livro “Pilhagem de África”, escrito pelo jornalista do Financial Times, Tom Burgis, é daqueles que poderiam dar em sugestão literária mas, como gosto de ir um pouco mais além, aproveito para fazer a ponte com a abordagem Neoclássica do crescimento económico, com a qual me identifico.

 

Começando por Tom Burgis. Este jornalista, profundo conhecedor do continente africano, fez uma reportagem em vários países de África, conversou com alguns líderes e, deu-nos a noção do que é viver no continente mais pobre do mundo, mas que detém um terço das reservas mundiais. O dinheiro existe, de facto, naquele continente, mas é mal distribuído, estando na posse de uma pequena parte da população que controla os recursos, tem influência política e investe no estrangeiro via offshores. “Quanto mais um país depende dos seus recursos naturais, mais a classe política se alimenta desses recursos e mais desvia o dinheiro que permitiria diversificar a economia, usando-o para proveito próprio ou para perpetuar o estado das coisas”.

 

Nestes países pobres africanos, o trabalho qualificado é mais escasso, portanto, o seu retorno deveria ser mais elevado. No entanto, esta remuneração é inferior ao retorno do trabalho qualificado dos países ricos, que é mais abundante. Os Neoclássicos explicam este fenómeno através do facto de os países ricos terem níveis de produtividade relativa do trabalho elevados, tão elevados que compensam a abundância relativa nestes mesmos países ricos. O mesmo acontece com o fator capital: por ser mais escasso nos países pobres, seria de supor que a produtividade deste fator fosse superior à produtividade nos países ricos, onde o capital é abundante (tal como nos diz a lei dos rendimentos marginais decrescentes). Tal não acontece, por vários motivos, ou por se investir muito mais nos países ricos, ou porque os países pobres têm associado um prémio de risco que os obriga a pagar mais quando pretendem obter financiamento, por exemplo.

 

Robert Solow acrescenta ainda contribuições importantes para esta reflexão. Diz este autor Neoclássico que aumentos da taxa de crescimento da população tornam as economias mais pobres em nível (e a pressão demográfica em África é assustadora), e que aumentos da taxa de poupança (ou de investimento) tornam o país mais rico também em nível (unidades de fator por trabalhador). As extensões a esta contribuição elencam a importância de outro fator de crescimento que é escasso em países em desenvolvimento: o conhecimento tecnológico, influenciado pelos níveis de escolaridade, processos de inovação, “learning by doing” ou processos de imitação.

 

Assim se pode explicar, de uma forma teórica e modesta, o que falta aos países africanos para que consigam convergir para os níveis de riqueza dos países desenvolvidos. Burgis está pessimista e eu também. Pelo menos enquanto durar o ciclo vicioso que controla recursos e que enriquece à custa disso.

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