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A Pobr€za das Naçõ€s

A Pobr€za das Naçõ€s

Uma questão de Educação

O fator aprendizagem, bem como o conhecimento tecnológico ou o nível de escolaridade, são tidos como importantes fatores de produção nos tempos modernos, algo aceite pela generalidade dos economistas. Em Portugal, têm vindo a ser tomadas importantes medidas para combater o abandono escolar e melhorar os resultados dos alunos, mas falta eficiência no matching para o ensino superior.

 

Um estudo recente, elaborado por investigadores da Universidade Nova de Lisboa, mostrou que há uma correlação forte entre os resultados obtidos no secundário e o desempenho dos estudantes no ensino superior, o mesmo não se podendo dizer acerca dos resultados que são obtidos nos exames, que muitas vezes não correspondem à performance que os alunos têm ou poderiam ter no superior. Assim, é necessária uma reforma no acesso ao ensino superior, que permita aos alunos que não conseguem bons resultados nos exames ter acesso a cursos que são úteis ao país. Muitos cursos ligados às tecnologias, como as Engenharias, viram ultimamente o número de candidatos reduzir-se pelo facto de muitos deles não terem o mínimo requerido nas provas de ingresso (9,5 valores), mesmo que tenham concluído com sucesso a disciplina nos dois/três anos de secundário.

 

Para acabar com o caráter eliminatório dos exames nacionais no acesso a cursos ligados às tecnologias, uma proposta já discutida, e com a qual pareço estar de acordo, tinha que ver com a aceitação, por parte de Politécnicos e Universidades, de alunos sem nota de exame, criando cursos técnicos superiores profissionais (TeSP). Esta proposta faz sentido porque cria maior eficiência na alocação de alunos para diversos cursos, libertando os estudantes que têm escolhido as ciências sociais (para evitar a reprovação nos exames de Matemática, Química ou Biologia) e colocando-os em cursos para os quais têm maior apetência e que fazem falta ao país, como as Tecnologias, a Multimédia, a Informática, a Restauração, a Eletrónica, a Química ou a Viticultura.

 

É claro que o acesso aos TeSP não pode ser livre, por forma a não criar facilitismos e exclusões indevidas. Deverá haver uma prova complementar (mais específica em relação ao curso em causa) que substitua a prova de ingresso, mas a verdade é que dar-se-ia um passo em direcção a um ensino superior mais virado para a empregabilidade e para as necessidades do mercado e competências do estudante. Afinal, não podemos nem devemos ser todos médicos, professores, advogados ou economistas, é uma questão de eficiência e de mudança de paradigma.